Deixa eu te fazer uma pergunta simples: se você fechasse os olhos agora, a sua marca ainda seria reconhecida? Só pelo som?
Há vinte anos eu trabalho do lado da marca que quase ninguém presta atenção: o som. Enquanto quase todo mundo aprendeu a construir marca pela visão, com logotipo, cor, tipografia, embalagem e cada detalhe padronizado até o milímetro, eu passei duas décadas do outro lado do espelho, pensando em como uma marca soa. E olha, faz todo sentido investir tanto na visão, uma identidade visual consistente ajuda a marca a ser lembrada. O problema é que isso é só uma parte do potencial que uma marca tem. Meu sócio Greg tem, no WhatsApp dele, uma frase que diz: “o som é 50% da experiência.” Não foi ele que criou isso, e sim o George Lucas, mas eu concordo com os dois nessa ideia da importância do som para o branding.
Porque tem um detalhe curioso: as pessoas nem sempre estão olhando. Elas dirigem ouvindo um anúncio no rádio. Escutam podcast trabalhando. Assistem vídeo sem prestar atenção na tela. Ficam esperando numa ligação. Entram numa loja. Abrem um aplicativo. Em boa parte desses momentos, o primeiro contato com a marca acontece pelo ouvido, não pelo olho.
E é exatamente aí que mora o meu trabalho há vinte anos: no primeiro segundo em que uma marca é sentida antes de ser vista.
Na prática, o que eu vejo, briefing atrás de briefing, ano atrás de ano, é cada campanha ganha uma trilha diferente, cada vídeo escolhe um estilo próprio, cada evento abre com uma coisa nova, cada agência puxa pra um lado. O resultado é uma marca visualmente afiadíssima e auditivamente irreconhecível. O motivo para issoa acontecer é que quase ninguém trata o som como parte da identidade e sim como o que sobra depois que o briefing visual já foi fechado.
E isso tem um custo que ninguém bota na planilha, mas devia. Toda vez que um elemento sonoro da marca muda sem necessidade, ela joga fora uma chance de reforçar reconhecimento. A memória humana aprende por repetição, consistência e associação. É assim que a gente reconhece uma voz querida antes mesmo de identificar quem tá falando. É assim que uma melodia gruda na cabeça depois de só algumas escutadas. E é assim que algumas marcas são identificadas em segundos, sem nunca aparecer na tela, porque alguém, em algum momento, tratou o som com o mesmo rigor que se trata o logotipo.
A identidade sonora não existe pra substituir a identidade visual. Existe pra ampliar ela.
Quando imagem, linguagem e som contam a mesma história, a marca para de depender só do que as pessoas veem. Ela passa a ocupar espaço também na memória auditiva. E memória é um dos ativos mais valiosos que uma empresa pode construir, muito mais valioso do que a gente costuma dar crédito.
Por isso, depois de vinte anos nesse ofício, aprendi que a pergunta certa nunca foi se você tem um logotipo bonito.
A pergunta é outra.
Se alguém fechasse os olhos agora, ainda saberia que a sua marca está ali?
Pensa nisso com carinho, e se quiser conhecer mais sobre marcas sonoras e fazer a tua, é só nos chamar.